Dois anos de pura barcelonice

Se eu nem imaginava que completaria um ano aqui, imaginem dois. Aquelas amigas que disseram, na minha vinda pra cá, um “acho que você não volta” até que tinham lá alguma razão. Eu, particularmente, achava meio absurdo. Como assim, não volto? E fico fazendo o que lá?

No final, arrumei o que fazer aqui. Uma pós e um mestrado depois, tenho um conhecimento mais abrangente em comunicação e marketing online. Mas, não foi exatamente por isso que fiquei, porque a comunicação eu poderia conhecer em outros lados, incluindo São Paulo. Eu fiquei para apostar em um sonho, de estar ao lado da pessoa que amo.

No começo eu não tive muita dimensão do que seria. Achava que só estava me dando esse tempo para conhecê-lo melhor. Acabou dando em um casamento muito feliz, com nossas famílias reunidas e interessadas em conhecer e saber uns dos outros. Já completamos um ano morando juntos e três meses casados. Deve ter aí um monte de gente apostando em fracasso, “que casar assim, tão rápido, sei lá, meio esquisito, ela deve estar grávida, vai quebrar a cara porque não se conhecem há muito tempo, lembra da história da fulana”… Mas esse é o esporte preferido dos céticos e desocupados, claro. O que eu gosto mesmo é de contar histórias. E a minha, agora nossa, é de luta para nos conhecermos e reconhecermos, com cooperação, perdão, amor, passando por perrengue em um país em crise que parece desmoronar. É difícil, já saímos do ponto de partida diferentes de tantos outro casais que conheço, que casaram com um apê, carro na garagem e profissão estabilizada. A gente só tem, hoje, um ao outro. Isso é uma riqueza, mas pode botar muita pressão em um casal se não se tem pés no chão e a certeza de que tudo passa. Crise, passa. Desemprego, passa. O da gente, eu espero que nunca passe.

De resto, Barcelona continua linda, ensolarada, viável para pedalar, caminhar, correr e pegar trem, metrô, teleférico. Mas está quebrando, sofrendo, gritando. São processos cíclicos, isso vai acabar. Acho lindo que tenha despertado tanta coisa boa nas pessoas, de se organizarem, de quererem um governo melhor, menos corrupto, irem às ruas, de sentirem necessidade de estudar mais, saber mais. Parece que querem aprender com o erro. Pelo menos a sensação que tive nesse segundo ano é essa. Vamos tentando, aprendendo com os erros, mas sempre olhando em frente.

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