De risotos e de cabelos

 Nunca fui prendada, mas morar sozinha te obriga a aprender algumas receitas.    Acontece que quando fui morar sozinha, minha avó veio algumas vezes passar umas semanas comigo. Ela me ensinou os básicos de como fazer arroz simples e também o hit familiar, a mjadra. Este prato é o arroz com lentilha sírio, origem da minha avó. Ela sabia todos os pratos árabes o quibe, a esfiha, hummus, coalhada, etc etc. Ela ensinou pra todas as filhas e eu pedi para ela me ensinar os arrozes (existe a receita com o arroz com macarrão cabelo de anjo, também).

Bom. Aí que eu achei que podia viver de arroz, porque o arroz, de todas as comidas, eu não queimaria. Anos depois, aqui em Barcelona, parei de me acertar com o arroz. Tratava ele do mesmo jeito que o tratava no Brasil: frito antes com a cebola e alho, depois vem a água, que eu esperava secar. E meus colegas de apê tratavam o arroz como um macarrão: ferviam a água, jogavam os grãos, esperavam ficar molinho, escorriam (!!!!).  Morri. Daí fui observando e testando e vi que os arrozes aqui não são iguais. O arroz largo é parecido com nosso agulhinha e pode ser feito branco e ser um pouco soltinho. Mas o arroz redondo, esqueça. Ele é pra risoto, sushi, ou qualquer papa que você queira fazer com ele. Tem ainda o arroz bomba, que é o mesmo que o redondo, só que mais caro, os arrozes aromáticos orientais e o parboilizado.

Enfim, mas o que a gente gosta mesmo é de risoto pra poder colocar todo o soborô dentro com um copo de vinho branco, por isso compramos muito o arroz redondo. E uso o largo (bem lavado previamente) pra receita da vovó.

Daí que andando na rua e observando as meninas do trabalho esses dias me dei conta de outra variedade aqui em Barcelona que não é de comer: são os cabelos. A Espanha é um lugar de gente predominantemente morena e com cabelos encaracolados, como o Brasil. A diferença? É que aqui elas não usam alisabel. Elas assumem o volume, o realçam e, quando sentem vontade, alisam. A escova progressiva, pormotivos óbvios chamada de escova brasileira, existe. Mas não é uma unanimidade. Eu me senti a vontade aqui de sair descabelada e deixei de pensar na progressiva. Tenho muitos dias de Bad Hair Day, mas eu decidi assumí-los e não evitá-los a todo custo. Quem sabe assim, de bem um com o outro, meu cabelo não colabora mais? Fora deixar de usar a química toda, enfim. Parei, não jurarei à bandeira nunca mais usar o alisabel, mas, vou adotar os cachos por um tempo pra ter um pouco mais de volume. Volume is beautiful, please!

Comments
2 Responses to “De risotos e de cabelos”
  1. Maira disse:

    Mas sabe que isso é cíclico…eu tb estou ensaiando um namoro com o meu cabelo ao natural…fiz tanta escova progressiva, definitica e etc que de repente me deu uma vontade de ver meu cabelo de novo como ele é….que eu na verdade nem sei mais…
    Vai existir aí uma transição em que meu cabelo vai ficar nem liso nem enrolado passando por um período de “rehab” mas vou tentar tb fazer as pazes…hehehe

    • tinalombardi disse:

      Má!!! isso é cíclico, sim! Mas não sei se aí no Brasil eu teria tido essa ideia. Pode ser pelo clima, aí é mais umido e deixa o frizz mais evidente, ou porque ninguém é muito de assumir o cabelão como aqui. De verdade que aqui vc pode fazer a maria-maluca sem traumas. Inclusive na roupa de dorme-suja. hahahahaha Liberdade total ;)) Saudades amore❤

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