Um ano aqui.

Há exatamente 1 ano eu estava chegando em Lisboa, na casa dos meus pais. Eram tantas expectativas. De como seria enfrentar um inverno inteiro, de como seria uma pós-graduação em outro país. Se eu ia encontrar gente que valesse a pena, que chegariam perto dos amigos incríveis de casa. Se eu ia encontrar um cara bacana. E, principalmente, como eu ia lidar com o viver fora de SP, já que nunca fiquei mais de seis meses fora da minha cidade.

Eu sou meio bairrista às vezes, quem me conhece, sabe. Eu nunca nem morei fora da zona Oeste, não imagino a vida além das fronteiras do Jaguaré, Pompeia, Lapa. Minhas possibilidades se limitavam a um flerte com o Rio de Janeiro, meu destino de férias de toda a vida. Mas pra mim, São Paulo sempre teve aquela coisa, uma personalidade forte num país tropical. Num é? Uma cidade cinza, fria e com garoa no meio de um país festivo, colorido e quente.

E daí decido vir pra uma cidade de praia com um jeitinho todo oposto ao que eu conhecia. E fui aprendendo que dá pra viver (melhor?) em outro lugar. Não sei por quanto tempo, mas dá pra ir levando. Talvez porque eu tenha encontrado o cara bacana, os poucos mas bons amigos, uma família que almoça junto no domingo.

Eu aprendi um monte de coisa em um ano. A começar, selecionando as coisas pelo “o que não quero”. Isso é uma coisa nova pra mim, atenção. Eu sou a pessoa que não sabe falar não, sabe aquela? Que sempre quer agradar a todos, prefere sofrer a deixar o outro se decepcionar. Daí que eu fico sempre com aquela bola na garganta. Aqui, tive que tomar muitas decisões que delimitam quem sou e o que quero. Comecei pelo o que não quero. Funciona. Vou seguir neste pensamento. Afinal, coração não se engana e à merda com o que as pessoas têm pra te aconselhar, quem sabe de mim sou eu. Aquele abraço.

Não tem sido fácil ficar longe das pessoas que amo e que são importantes na minha vida, como sobrinhos, irmão, prima-mais-que-irmã, amigos do coração, melhores amigas que são irmãs, cunhada que é como irmã, enfim. Pessoas que estão por perto há mais de 15 anos, pelo menos. E são todos como irmãos porque estiveram nos maiores perrengues e estavam ali do meu lado. Isso é totalmente insubstituível e não vai ter alguém no mundo que em um ano vai me conhecer do jeito que eles conhecem.

Mas o recomeço sempre pede paciência. E ter encontrado O cara me ajuda muito nesse processo. De balanço geral, posso dizer que tenho muita sorte. A única amiga que tinha aqui me apresentou para todos os outros que tenho hoje, me cedeu seu espaço, me emprestou sua família, seu colchão, seu edredon. Recomecei do zero. E acredito que terei mais um monte de recomeço pela frente. O estabelecer-se é transitório. Vejo meus pais que recomeçaram depois dos 50.

Me retificando sobre o tema conselho, eu recebi vários antes de vir e claro, todos bem intencionados. O único que sempre ficou no cantinho da cabeça e a cada dois meses lhe agradeço por isso foi o da Erika. Foram tópicos simples e importantes. Eles são: divirta-se sempre; se desfaça das coisas feliz, mas não ache que “lá eu compro”; as coisas deixadas no brasil nunca irão te servir de novo – você vai mudar; não compre roupas brancas se você só vai lavar em máquina. Esta última é valiosíssima!

Comments
4 Responses to “Um ano aqui.”
  1. Kel disse:

    Você é uma grande inspiração pra mim do lado de cá! Suerte pra mais um ano. =)

  2. tinalombardi disse:

    Gracias, florecita!!!! Espero que essa sua aventura/sabático seja genial e totalmente enriquecedora.❤

  3. Mari Gomes disse:

    nunca consigo deixar recadinhos aqui, mas lá vai: te amo e estou infinitamente orgulhosa e feliz por vc, viu?!

  4. Bruna Rodrigues disse:

    que texto indo. adorei!

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